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Com o propósito de estimular as cooperativas a inovarem, o Instituto Fenasbac – vinculado à Federação Nacional de Servidores do Banco Central do Brasil – elaborou o projeto “Reconhecimento Inovação com Propósito no Cooperativismo Financeiro”. A ideia é proporcionar uma visão global e transversal do setor cooperativista quanto à inovação, e ao mesmo tempo entregar uma ferramenta útil para subsidiar os processos decisórios relacionados à transformação. A iniciativa é inédita no Brasil e está com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2021.

Como, onde e para quem as cooperativas inovam? Como reconhecer as melhores iniciativas? A CEO do Instituto Fenasbac, Lucila Simão afirma que o Reconhecimento responde à necessidade de dados e informações sobre as práticas de inovação na gestão, como forma de estabelecer um caminho para as cooperativas financeiras se desenvolverem e se transformarem alinhadas à Agenda BC#.

A intenção, de acordo com Lucila, é criar uma referência para a evolução do Cooperativismo Financeiro brasileiro – mercado que impacta diretamente mais de 12 milhões de pessoas e tem mais R$ 280 bilhões em ativos, ao mesmo tempo em que entrega uma ferramenta útil para subsidiar os processos decisórios nas cooperativas.

Na entrevista a seguir, concedida à Confebras, a CEO do Instituto Fenasbac detalha melhor os objetivos do projeto, como ele está estruturado, de que forma será aplicado e quando será entregue. Lucila ainda enfatiza a importância da participação de todas as cooperativas brasileiras e como a contribuição de entidades como a Confebras, a OCB, a FGCoop, além de sistemas como Ailos, Sicredi, Sicoob, Cresol, entre outros, têm sido fundamentais para a construção e o alinhamento estratégico do projeto.

Idealizado pelo Instituto Fenasbac, o projeto “Reconhecimento Inovação com Propósito no Cooperativismo Financeiro” surgiu a partir de uma constatação de que as cooperativas passam por uma grande transformação e que desejam investir em inovação, mas carecem de referências. Explique qual objetivo do projeto e como ele pretende ajudar nesse processo?

Nós somos uma “consultoria boutique”, focada no Cooperativismo Financeiro. Conduzimos trabalhos que já impactaram mais de 13 mil líderes no enfrentamento do desafio de transformação com propósito. Percebemos que, com a pandemia, todo o Cooperativismo estruturou projetos de transformação. Outra percepção é a preocupação do setor em não perder a sua essência. Nesse contexto, nós, do Instituto Fenasbac, com o propósito de ajudar as cooperativas na construção do amanhã, desenhamos o Reconhecimento Inovação com Propósito, que tem o objetivo de ser referência: (1) como instrumento de gestão: que investimentos, estratégias e ações são interessantes alocar esforços e que geram resultados; e (2) como ferramenta de benchmarking: o que os outros estão fazendo e como estão alcançando resultados. Assim, líderes e cooperados terão uma plataforma para ajudar na sustentabilidade da Cooperativa no presente, no crescimento para o futuro e no desenvolvimento com propósito.

O projeto está dividido em seis dimensões: estrutura e recursos; inovação participativa; inovação colaborativa; desenvolvimento de capacidades; comportamento inovador e inovação com propósito. O que representa cada uma destas dimensões?

Essas dimensões representam os aspectos capazes de guiar a inovação com propósito. Ao observar a literatura acadêmica sobre inovação, percebemos que os princípios do cooperativismo são poderosos indutores da inovação. Cada uma das dimensões relaciona-se, em maior ou menor grau, com esses princípios. Desse modo, entendemos que as cooperativas que estão mais atentas aos princípios do Cooperativismo tendem, também, a estar mais orientadas para inovar atendendo ao seu propósito.

A ideia central do projeto é reconhecer modelos de gestão de inovação que venham acompanhados de propósito. O que isso significa na prática e quais os mecanismos criados pelo Instituto Fenasbac para avaliar se as cooperativas trabalham em práticas de gestão que abrangem esses dois aspectos?

O modelo do Reconhecimento partiu de uma construção baseada em estudos acadêmicos globais sobre inovação e propósito e passou por etapas de validação com lideranças do movimento Cooperativista Financeiro e especialistas em inovação e cooperativismo. Nessa construção, modelamos seis dimensões que evidenciam práticas de gestão. As Cooperativas, ao responderem a avaliação, terão um diagnóstico das suas práticas de gestão e saberão qual o próximo nível de desenvolvimento. Para exemplificar, na dimensão da Inovação Colaborativa, relacionada ao princípio do Cooperativismo de Intercooperação, será possível avaliar a atuação conjunta com atores externos.

Na elaboração do projeto, o Instituto ouviu o Banco Central do Brasil, dirigentes de entidades do setor como Confebras e OCB, demais entidades do setor e os principais sistemas cooperativistas de crédito. Qual foi a receptividade das entidades e instituições financeiras e a contribuição delas para o projeto?

A recepção foi excelente! Todos muito mobilizados e emocionados com o fato de conduzirmos um projeto dessa magnitude e relevância, que colocará o Cooperativismo Financeiro no lugar de protagonismo no mercado. Outro aspecto que gerou bastante receptividade foi a oportunidade de gerar mais capacidade nas cooperativas para responderem aos desafios impostos pelo mercado, sem perder o seu propósito. Ressalta-se, também, o caráter inclusivo e participativo, em que entidades como a Confebras, OCB, FGCoopAilos, SicrediSicoob, Cresol e outras, fizeram parte da construção e do alinhamento estratégico do Reconhecimento Inovação com Propósito. Nós, do Instituto Fenasbac, estamos muito felizes e conscientes da responsabilidade de levantar essa bandeira. Rumo aos 20% de presença no Sistema Financeiro Nacional!

O projeto não se propõe a estimular a concorrência, por isso foi classificado como um reconhecimento e não um prêmio. Você poderia comentar mais sobre isso?

O Reconhecimento, como dito anteriormente, não se propõe a gerar concorrência e sim a ajudar e gerar estímulos para o cooperativismo se fortalecer. Por isso, não será divulgado um ranking ao final, e sim um relatório com as melhores práticas de gestão que permitem o cooperativismo financeiro inovar sem perder o propósito. A participação anual das cooperativas no Reconhecimento Inovação com Propósito será estimulada pela percepção de valor e consciência de que a transformação se dá em ciclos contínuos.

Quando o Instituto pretende fazer o Reconhecimento?

O lançamento está previsto para ocorrer agora no 1º semestre de 2021, em um grande evento híbrido, com a presença das lideranças e entidades como Banco Central, Confebras, OCB, FGCoop, entre outras, dependendo de alinhamento de agenda. Em seguida, será a fase de inscrição e resposta ao questionário de avaliação. No final do ano, está prevista a divulgação do relatório preliminar das práticas de Inovação com Propósito e a realização de road shows para divulgar tais práticas. No início do 1º semestre de 2022, o evento do Reconhecimento ocorrerá, bem como o lançamento do segundo ciclo de avaliação. O Instituto Fenasbac quer a participação das Cooperativas Financeiras conosco neste projeto.

Sobre o Instituto Fenasbac

O Instituto Fenasbac, vinculado à Federação Nacional de Servidores do Banco Central do Brasil, acredita no poder de transformar pessoas, equipes e organizações com soluções inovadoras, inteligentes e sustentáveis. Com foco em Transformação Inovativa e Cultura Evolutiva, atua em todo o País solucionando os desafios encontrados no ambiente empresarial. 

Quem é Lucila Simão

Gestora e consultora de Soluções Corporativas há mais de 20 anos, é graduada em Análise de Sistemas com Computação Gráfica, com especialização em Gerência de Projetos e Coach. Formada em Negociação em Harvard/EUA e avaliadora internacional do Meeting de Negociação da International Negotiation Competition em Tókio/Japão, é coordenadora do LIFT – Laboratório de Inovação Financeira e Tecnológica (Fintech), projeto em parceria com o Banco Central do Brasil. Atua na iniciativa privada como empresária e consultora em Projetos, TI, Gestão Estratégica e Gestão de Pessoas, e também como consultora em soluções de Educação Corporativa, Gestão Ágil, Planejamento Estratégico e Cultura de Inovação.