Confebras lança campanha DICC 2021 com webinar sobre educação financeira

A importância da educação financeira para o exercício pleno da cidadania e o papel das cooperativas de crédito no estímulo à prosperidade foram alguns dos pontos debatidos no webinar “Construindo Saúde Financeira para um Futuro Melhor”.  

Realizado no dia 16 de setembro, o evento online abriu a campanha da Confebras em comemoração ao DICC, o Dia Internacional das Cooperativas de Crédito, celebrado neste ano em 21 de outubro. O bate-papo virtual teve como convidados Marcio Nami, economista comportamental na Consultoria Ponto C e Luiz Lesse, vice-presidente da Confebras e diretor-presidente do Sicoob Executivo, que mediou o encontro.

O webinar do projeto ConectCoop, apresentado por Brunna Barbosa, coordenadora de Eventos da Confebras, foi a primeira de uma série de iniciativas que a Confederação preparou para os meses de setembro e outubro. A ideia é aproveitar a data, instituída pelo Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (Woccu), para disseminar a educação financeira como ferramenta fundamental para promover o desenvolvimento socioeconômico. O DICC ocorre sempre na terceira quinta-feira do mês de outubro. 

Benefícios da educação financeira 

Na abertura do webinar, Lesse mencionou dados recentes do Banco Central sobre o endividamento das famílias, que chegou aos 58,5% em abril de 2021. Em meio a esse quadro, o BC lançou o programa de educação financeira “Aprender Valor” para levar a 100 mil escolas municipais, estaduais e federais do Ensino Fundamental conteúdos sobre planejamento, poupança e crédito.  

Relacionando a proposta do governo ao tema do DICC, que fala em construção da saúde financeira para um futuro melhor, Lesse questionou Nami sobre o cenário da educação financeira no país e os benefícios que ela traz à sociedade. De acordo com o economista comportamental, um dos grandes entraves que afetam a maturidade da população é a falta de consciência financeira.  

Não se avançava por conta dessa necessidade de ter uma política clara e estruturada. Se tem uma coisa que aprendemos em neurolinguística é que ninguém sente falta do que não conhece. No passado vivemos um período inflacionário muito forte e uma das principais heranças é a falta de horizonte futuro. Se o ser humano não tem isso, a última coisa que vai pensar é em educação financeira”, avalia.  

No entanto, acrescenta Nami, à medida que vamos evoluindo, conseguir perceber essas campanhas e iniciativas já é motivo de comemoração. “Por qualquer ângulo que você observe, desde estudos mais altos até uma visão inicial da educação financeira, todos os vieses são extremamente positivos e devem ser comemorados e perenizados”, pontua.  

Planejamento é o grande diferencial  

Na sequência, Lesse pergunta se é possível perceber a diferença entre o perfil comportamental de pessoas que receberam mais formação na gestão do dinheiro e aquelas que não tiveram acesso a essa estratégia educacional. Segundo Nami, a educação financeira não só clareia o caminho das sociedades e instituições, como dá luz interna para você conseguir acreditar no seu potencial. Percebe-se isso em diferentes sociedades. “Nos países mais amadurecidos financeiramente, fica evidente que uma das coisas que a educação financeira traz à tona é a questão da autonomia. Você para de depender de fontes e opiniões externas e passa a ter um juízo de valores pessoal”, explica. 

E ilustra com um exemplo simples. “Se fizesse a seguinte pergunta agora: você tem algum sonho?’, a cada 100 pessoas, todas diriam que sim. Agora se perguntasse ‘você tem projetos?’, mudaria de figura. Nas sociedades mais amadurecidas em educação financeira, o número de pessoas com projetos de curto, médio e longo prazo é muito maior do que nas sociedades em que ela não está tão arraigada. Por uma simples razão: se olharmos para a natureza humana, sonhar é divertido, planejar é chato. O grande mérito da educação financeira, nesses sistemas mais evoluídos, é lançar outro olhar sobre o planejamento. E aí entra uma outra questão interessante para o cooperativismo, quem é mais educado financeiramente tem tendência maior a cooperar”, analisa. 

Escassez X abundância
O tema educação financeira se mostra ainda mais urgente no momento atual, com a crise econômica decorrente da pandemia e, consequentemente, o aumento de desemprego associado à perda de poder aquisitivo de milhões de brasileiros. Lesse lembrou que o percentual de famílias brasileiras com dívidas atingiu 72,9% em agosto, um novo recorde mensal, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Questionado se as pessoas dotadas educação financeira têm mais chance de superar essa situação, Nami afirma que na economia toda vez que há retração, a velocidade de circulação do dinheiro diminui. E isso acende um alerta: o medo.  

A escassez tem um fator psicológico preocupante. Quando esse estigma cresce muito entre as pessoas, vem uma coisa que paralisa o ser humano, o medo. Nesse ponto, quem tem conhecimento em educação financeira começa com um diferencial competitivo natural. E não falamos de valor, mas de senso de perspectiva. Você parte daquilo que pode buscar e não daquilo que te falta. Há essa capacidade da redução dessa paralisia e aí passa também a ser divulgador dessas ideias, motivando as pessoas a avançar”, explica.  

Em relação ao papel das cooperativas para estimular a prosperidade, Nami afirma que o movimento cooperativista tem uma vantagem competitiva que está ligada à sua própria formação, que é o olhar para as pessoas. “Mesmo em momentos de ebulição, o cooperativismo entra com um verdadeiro diferencial competitivo, seja sob a ótica de sociedades menos favorecidas ou mais maduras. O ato de apoiar acontece por uma questão de estrutura e aglutinação. Uma coisa bacana, principalmente nesses momentos de tensão, é que o cooperativismo te ensina a olhar para o lado”, diz. 

Na opinião de Nami, a abundância de prosperidade se manifesta de forma bem clara. “O que faz isso funcionar de uma forma efetiva na cooperação é a humildade. De conseguir ouvir o outro, de respeitar o senso coletivo, entender que é uma caminhada passo a passo. E o mais importante: ter a capacidade de ouvir. Todo o bom cooperativista tem essa habilidade em ouvir, entender os anseios do coletivo e traduzi-los em resultados. O cooperativismo, para mim, é um alicerce, só que precisa de três coisas: ser divulgado, divulgado e divulgado!”, frisa.  

Vantagens da Plataforma Safe 

Nos momentos finais do webinar, Lesse e Nami conversaram sobre a Plataforma Safe, uma ferramenta de gestão do conhecimento, disponibilizada para as cooperativas de crédito. Desenvolvido pela consultoria Ponto C, em parceria com a Confebras, o Sistema de Atendimento e Formação Estruturado (SAFE) é uma plataforma de ensino a distância focada em educação financeira e cooperativista, bem como em assuntos correlacionados que favorecem o desenvolvimento das pessoas.  

Por meio da ferramenta, as cooperativas têm a oportunidade de personalizar o seu programa de educação financeira e na área comportamental, em temas como vendas, atendimento, soluções e pensamento estratégico. Isso a partir da utilização de módulos e templates customizados. 

Segundo Nami, a plataforma nasceu como base de educação financeira e tem o compromisso de levar às pessoas uma proposta de mudança comportamental consciente, com instrumentos e simplicidade.  

A cooperativa coloca o conteúdo que diz respeito à identidade dos seus cooperados, podendo oferecer sessões de educação financeira, educação comportamental e estratégias. Tudo de maneira personalizada e regionalizada, disponibilizando conteúdos gratuitos que ficam na plataforma para as pessoas terem acesso ao maior bem do século 21, 22 ou 23, que é a busca pelo conhecimento”, resume. 

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