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Temas como educação financeira, interesse pela comunidade, fidelidade à doutrina cooperativista e intercooperação nortearam o webinar de lançamento do livro “Cooperativismo Financeiro na década de 2020 – Sem Filtros”,  escrito por Ênio Meinen e editado pela Editora Confebras. A obra foi lançada no webinar que abriu nesta terça-feira, dia 13, a programação da Semana do DICC, promovida pela Confebras em celebração ao Dia Internacional das Cooperativas de Crédito. Além do autor, o bate-papo mediado pelo presidente da Confebras, Kedson Macedo, teve a participação de Helder Molina, presidente da MAG Seguros, e de Graciela Fernández Quintas, presidente das Cooperativas das Américas e vice-presidente da Aliança Cooperativa Internacional.

Na abertura do webinar, Kedson Macedo destacou a importância do lançamento de mais uma obra da Editora Confebras e de celebrar o Dia Internacional das Cooperativas de Crédito. “Especialmente neste momento delicado para o mundo e as pessoas, queremos compartilhar conhecimento sobre esse movimento transformador que traz esperança para a humanidade. Hoje são mais de 86 mil cooperativas no mundo inteiro e 291 milhões de cooperados e temos certeza que chegaremos a mais de 15 milhões, assim que esta mensagem chegar aos corações e à sensibilidade das pessoas”, enfatizou o presidente da Confebras.

A conversa seguiu com Helder Molina, que destacou a relação entre a empresa de seguros e o cooperativismo. “Somos uma seguradora voltada e feita de pessoas. O mais importante é o nosso capital humano, e isso é muito forte dentro do cooperativismo. O interesse pela comunidade aproxima os dois negócios”, acentuou. Molina ainda ressaltou os desafios das cooperativas de crédito de promoverem a educação financeira. “Nós precisamos cada vez mais que as pessoas entendam a necessidade de olhar para o futuro, de serem previdentes quanto aos três riscos sociais a que qualquer um de nós está exposto, que são a morte prematura, a invalidez e a sobrevivência. E o movimento de crédito cooperativo tem uma função fundamental de promover essa educação”, resumiu.

Na sequência, o escritor e diretor de Coordenação Sistêmica e Relacionamento Institucional do Sicoob, Ênio Meinen, iniciou sua participação explicando o significado da expressão “Sem filtros”, a qual se refere no título.  “Além de exaltar as virtudes, apresento imperfeições do modelo cooperativista. E o primeiro passo para aprimorar as práticas é reconhecer onde elas não estão adequadas, principalmente no que se refere aos princípios e valores cooperativistas. No decorrer do webinar, Meinen discorreu sobre cada um dos capítulos do livro – sete no total, tal qual o número de princípios cooperativistas.

Em um dos capítulos, Meinen indaga se o cooperativismo financeiro é melhor ou diferente. “Basicamente recomendo um pouco mais de humildade para os atores do cooperativismo. Nós temos uma doutrina condutora para o movimento que precisamos cumprir fielmente, do contrário não podemos chamar nossas entidades de cooperativas. A condição de ser usuário e dono impõe obrigações que não são impostas a quem participa como usuário ou cliente do sistema financeiro convencional, por exemplo”, ressaltou.

A obra ainda aborda paradigmas e inovações e o resgate do precedente cooperativo. “Falamos muito de nova postura para o mundo corporativo, e aí vêm expressões atuais recorrentes como economia compartilhada, capitalismo consciente, empreendedorismo humanizado e outros tantos balizadores que são conectados a negócios, que eu diria mais inclusivos e sustentáveis. Todos estes aspectos fazem parte do DNA do cooperativismo desde a sua criação. Então, o que é novidade para as empresas em geral, não é para as entidades cooperativas e pode, portanto, servir de referência, para o modelo de organização financeira mais cidadã”, assinalou.

Outro ponto importante analisado é a intercooperação. “Infelizmente, no Brasil há uma baixa correspondência entre o discurso e a prática em relação ao sexto valor cooperativista. Esse capítulo é um chamamento a uma prática mais efetiva neste processo. Explico as razões pela baixa intercooperação no Brasil e aponto sugestões objetivas de como podemos avançar neste sentido”, observa. No capítulo final, Meinen traz as responsabilidades, desafios e oportunidades do cooperativismo financeiro. “É um olhar para 2030, uma abordagem voltada para o futuro do segmento. Dou ênfase para a questão da eficiência operacional e as oportunidades de reduzir e otimizar custos”. Por fim, defendeu o maior protagonismo das mulheres no cooperativismo em órgãos de gestão estratégica e a necessidade do resgate da doutrina cooperativista para mitigar o risco da desmutualização. É preciso nos voltarmos à origem, ter fidelidade a nossa doutrina, valores e princípios”.

Economia democratizante e intercooperação

A palavra final ficou com Graciela Fernández Quintas, que agradeceu ao autor e à Confebras pela oportunidade de prefaciar o livro. A vice-presidente da Aliança Cooperativa Internacional enalteceu a importância do livro neste momento em que se traça o plano estratégico das cooperativas das Américas para 2030. “O livro propõe uma análise reflexiva e crítica, que traduz os pilares para formar o plano estratégico mundial. Ele aborda a dimensão do que é o cooperativismo, nos âmbitos social, econômico e ambiental. E este é o ponto-chave hoje na agenda do cooperativismo mundial, de promover e desenvolver a identidade cooperativa baseada na nossa doutrina”, destacou.

O webinar se encerrou com o sorteio de cinco exemplares do livro, entre os participantes que enviaram perguntas pelo chat. Veja a programação dos webinars de hoje, com jovens lideranças cooperativistas, e de amanhã, dia 15, com representantes do Banco Central do Brasil.

Acompanhe os próximos webinars da Confebras nos dias 14 e 15 de outubro!