O que o modelo Desjardins pode ensinar ao Cooperativismo de Crédito brasileiro

Foram quase 10 dias de imersão em um modelo completamente diferente de se fazer Cooperativismo de Crédito. Depois de mergulhar no dia a dia e no funcionamento do método inspirado no legado de Alphonse-Desjardins, no Canadá, um novo grupo de participantes voltou para casa neste domingo, dia 3 de novembro.

O modelo Desjardins é um dos movimentos precursores do Cooperativismo de Crédito no mundo. E os participantes puderam conhecê-lo de perto: tiveram aulas sobre o sistema financeiro em geral, sobre o sistema Desjardins e acesso à história e à trajetória das principais instituições cooperativistas do País. Além disso, puderam agregar ao currículo uma experiência cooperativa internacional, abrir a visão de mercado e garantir muito networking e troca de experiências.

Criado em 1900, quando Alphonse-Desjardins fundou a primeira instituição nas redondezas da província de Québec, o sistema apresenta números relevantes: é o segundo maior empregador da região e possui cerca de um terço da população envolvida em alguma cooperativa.

Veja o que dois participantes disseram:

O Canadá é o primeiro intercâmbio do qual participo. Esse tipo de experiência proporciona uma vivência prática que nos faz entender o funcionamento do modelo cooperativista aplicado em outro País. As boas práticas transmitidas durante o período podem nos instigar, por exemplo, a propor iniciativas e mudanças que ajudem a cortar caminhos na busca por melhorias dentro do nosso próprio cenário. Um exemplo disso é a tentativa canadense de abolir o segundo nível de Cooperativismo de Crédito, o que está sendo considerado como uma evolução de 10 anos no sistema local. No Brasil também estamos vivendo algo parecido: temos três níveis e estamos passando por transformação no segundo. O aprendizado adquirido em um intercâmbio é oportuno para que a gente possa ter sempre novas propostas evolutivas dentro do sistema brasileiro. Além disso, a frequência das mudanças que estão sendo propostas – ou impostas até – nos sistemas financeiros mundiais vão exigir da gente mais intercâmbios culturais como esse.

Walmir Segatto, presidente do Sicoob Credicitrus

Atualmente, vivemos no Brasil um cenário de taxa de juros baixas e previsão de estabilidade econômica. O intercâmbio no Canadá me possibilitou, portanto, conhecer um país que já vive essa mesma estabilidade com juros muito baixos e inflação sob controle há muitos anos. O sistema cooperativo Desjardins, que é o modelo canadense, já possui mais de 100 anos, e já viveu no passado o que estamos vivendo agora. Isso nos ajuda a identificar boas práticas para posicionamento no mercado O Sicoob

Coopacredi, por exemplo, cresceu muito nos últimos anos e possui uma grande fatia de mercado em suas áreas de atuação. Por causa disso, enfrenta uma forte concorrência de outras instituições. O intercâmbio está sendo importante para entender como enfrentar esse momento. Além disso, a eficiência operacional é um exemplo de melhoria que precisamos buscar no Brasil. No Canadá, eles criam centros compartilhados com outras cooperativas para conseguir atender empresas de uma determinada região, disponibilizando gerentes com grande conhecimento em determinado segmento. Isso reduz custo e possibilita um melhor atendimento aos cooperados.


Givago José Rodrigues Borges de Paiva, diretor de Negócios do Sicoob Coopacredi

 

 

Data da publicação: 05/11/2019

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