Liderar não é somente mandar e comandar. É se tornar exemplo, desenvolver e orientar.

“Se suas ações criam um legado que inspira outros a sonharem mais, aprenderem mais, fazerem mais e tornarem-se mais, então, você é um excelente líder.”

Dolly Parton

Como você está liderando teu time? Tem dado atenção e encorajado seus colaboradores?

Liderar, no contexto organizacional, é uma responsabilidade que exige cuidado e dedicação, para identificar nos colaboradores virtudes, competências, desvios e oportunidades de melhoria. Sobre isso, me lembro do exemplo de Nelson Mandela, retratado no filme “Invictus”: liderança firme e objetiva, mas cativante. Sua postura era inclusiva, mesmo em um ambiente em reconstrução, segregado e pleno de ódio e revanchismo. A todos chamava pelo nome, amenizava o ambiente com um sorriso ou brincadeira e respeitava os valores dos liderados mesmo quando discordava deles.

Existem várias formas do líder criar ambiente propício para dedicar-se particularmente às pessoas. Pode ser um cafezinho de 15 minutos na cafeteria da esquina, um papo no almoço no restaurante do shopping, uma caminhada em torno do prédio, durante um intervalo e outras formas criativas que podemos imaginar. Individualmente ou em pequenos grupos, o importante é fazer e sugiro que o líder tenha um check list mental para nortear a conversa e tornar aquele momento o mais produtivo possível.

Me lembro que, quando era executivo do Banco do Brasil, o então presidente Cássio Casseb implantou caminhadas matinais individuais com os dirigentes e gestores da organização, segundo uma agenda preconcebida. Até hoje, percebo o quanto foi importante para minha carreira as duas ocasiões que caminhei lado a lado com aquele líder.

Cássio é um cara simples e inspirador e, durante os 50 minutos da caminhada, falamos de questões familiares, possibilidades de melhoria na minha área de atuação, ambições e desafios que deveríamos impor à vida para manter a energia e o ritmo da jornada.

Pegando esse gancho, sobre o gerenciamento de pessoas para alta performance, cabe ao líder desenvolver nos liderados valores, ambições e comportamentos que fortaleçam o senso de propriedade, a responsabilidade individual e o orgulho de pertencer. E Cássio demonstrou, na sua passagem pelo BB, ser um verdadeiro mestre nesta arte.

Os principais comportamentos esperados dos liderados, neste sentido, são o senso de urgência, o alinhamento continuado, o estado de alerta, o domínio das competências necessárias ao crescimento pessoal, comunicação clara e capacidade de networking. E também protagonismo para estabelecer laços de confiança entre líder e liderados.

Se dedicando ao outro e agindo com integridade (ética, honestidade e responsabilidade), o verdadeiro líder ensina a importância do valor ‘credibilidade’, que cresce proporcionalmente à quantidade de pessoas que ele ajuda a crescer.

O bom líder, também, conhece e respeita a cultura organizacional – os valores, o senso de pertencimento, crenças, regras do sistema social e histórico de comportamentos coletivos –, sabendo que, em algum momento, ela pode se tornar aliada ou adversária, pois, lembrando as palavras do grande guru Peter Drucker, “A cultura devora a estratégia no café da manhã”.

E sobre líderes vencedores? Vale a pena vencer a qualquer custo? O conceito de ‘vencer’ é muito amplo e, para mim, ser vencedor é atingir um estágio na vida pessoal, social e profissional em que se faz as coisas por gostar de realizá-las. Vencer é ter reconhecimento de seus pares pelo desempenho superior, e também pelo exemplo de honestidade e coerência com seus propósitos. Isto vale para qualquer situação, dentro ou fora de organizações.

Líderes vencedores não dependem de poder e nem de autoridade formal. Obtêm seguidores pela capacidade de relacionamento e pela credibilidade que construíram na sua história de sucesso pessoal e profissional. E, acima de tudo, amam o que fazem.

Para ser vencedor, o líder deve se cercar de pessoas com as quais possa aprender, mas saber que, enquanto líder, seu papel é principalmente ensinar, conduzir, orientar e desenvolver. Deve também cultivar a confiança mútua e o compromisso com os objetivos de sua organização, estabelecer senso de urgência, comunicar com clareza e transparência, administrar o tempo para questões principais, valorizar a autonomia, praticar o empowerment, usar sempre “três chapéus”: como líder, gestor e coach, lidar, objetivamente, com apoios e discordâncias, auto avaliar-se e produzir, voluntariamente, resultados superiores reconhecidos por todos.

A liderança pode ser aprendida, pois é um padrão observável de práticas, valores, qualidades, habilidades e comportamentos, entre eles o propósito de aperfeiçoar-se continuamente, para ser modelo e referência para os liderados.

Como ser líder de sucesso na era digital? A esse respeito, Richard Barrett, no livro “A Organização Dirigida por Valores”, apresenta os 7 níveis de consciência: Sobrevivência, Relacionamento, Autoestima, Transformação, Coesão interna, Fazer a diferença e Servir, e lembra que “A compreensão das necessidades dos funcionários é a chave para a organização alcançar alto desempenho”.

Um ponto também muito relevante:  a capacidade de comunicação bem estruturada garante que as decisões da liderança sejam assimiladas rapidamente, facilitando a disseminação adequada do propósito, conhecimentos e competências necessários à transformação organizacional. Comunicação ineficaz, conforme alerta John P. Kotter, na obra “Liderando Mudanças”, influi tão negativamente que pode até interromper a transformação e prejudicar mortalmente o negócio.

Outros comportamentos imprescindíveis para que o líder empreenda as mudanças organizacionais necessárias são: transparência, agilidade, confiança, integração, valorização do mérito e da competência; orientação para resultados; engajamento dos stakeholders; pragmatismo quanto à verdade, combate a ilícitos, pertencimento, ética, legalidade, profissionalismo, clima organizacional saudável, celebração das pequenas vitórias e rigor na gestão financeira.

As cooperativas não só prescindem de lideranças eficazes para alcançar e manter o sucesso, como também constituem o ambiente ideal para se desenvolver esse importante instrumento de gestão. Afinal, as organizações cooperativas têm, em seu DNA, a valorização humana, a cooperação, a ajuda mútua, a participação democrática e outros valores que sustentam e orientam uma boa liderança. Liderança que se dá por meio do respeito, da credibilidade, da confiança, do compromisso com o objetivo comum, com o desenvolvimento profissional e humano dos colaboradores, com a cidadania e com a responsabilidade social.

Cientes e reflexivos sobre estas questões, para finalizar, voltemos então à pergunta inicial. Como você está liderando teu time? Tem dado atenção e encorajado seus colaboradores?

 

Kedson Macedo

Presidente na Confebras

Diretor Executivo na Cooperforte

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